Arquivos política - FHOP

O Cristão, afinal de contas, pode participar da vida política? Um pastor, afinal de contas não deveria se dedicar apenas ao ofício sacerdotal e deixar as questões políticas nas “mãos dos políticos”? Como poderia conciliar a vida política com a vida pastoral? Esse post, vai na direcção de uma afirmação trazida por um amigo, num post que eu fiz no meu facebook em que eu fazia menção ao facto de que achava que aqueles que acham que pelo facto de eu ser Pastor não devo exercer cidadania responsável, isto é, me firmar e afirmar como um político e que na minha opinião isso revelava um desconhecimento das lições ensinadas pelo Senhor Jesus Cristo no “sermão do monte”, apresentado no Evangelho de Mateus nos Capítulos 5, 6 e 7, por um lado, e por outro, eu fiz menção ao facto de que eu achava que isso revelava um desconhecimento alargado das Escrituras Sagradas, mormente, no que diz respeito à missão dos Profetas, sobretudo, no Antigo Testamento. Em face disso, esse meu amigo disse o seguinte:

“Um Pastor ou Padre no activo não deve fazer activismo por um partido político em minha opinião. O Pr. Nelson Custódio assume-se como da UNITA e denota aversão aos militantes dos outros partidos. Como fica na sua congregação? Haverá quem mude ou mesmo saia por isso. Aí… “ai de quem escandalizar” disse Cristo. Minha opinião…

Ao que, decidi responder nos seguintes termos:

Meu caro irmão (…), entendo a sua inquietação, mas deixa-me esclarecer algumas coisas. Sei que o texto é longo, mas tenha paciência, tente ler até ao final, tenho certeza que o Espírito Santo de Deus iluminará a tua mente e consciência no caminho do entendimento e do bom senso que sempre te caracteriza.

Eu não me assumo como da UNITA. Eu sou a UNITA!, e se Deus quiser, pela sua graça, serei o n.º 1 na lista da UNITA às Autarquias no Sumbe, para Glória e misericórdia de Deus, se eu continuar a merecer a confiança do meu partido, óbvio. Hoje exerço as funções de Secretário Provincial Adjunto e Governo Sombra da UNITA no Cuanza Sul. Sou muito grato, consciente, e desmerecedor de tamanha honra; é uma missão que espero que esteja a desempenhá-la com toda responsabilidade que se exige!

A UNITA não é apenas um partido, é uma instituição que carrega na sua narrativa um conjunto de valores e princípios que, a meu ver, vão mais de encontro aos valores e princípios estabelecidos, em Deus e em Jesus Cristo nas escrituras sagradas. Na vida, todas as escolhas que fazemos devem ter coerência com os nossos valores e princípios. Como cristão, conservador e liberal me revejo nas ideais e valores da UNITA, um partido que foi forjado ao longo da historia do nosso país e por isso mesmo teve de ter a maturidade de se reinventar sem no entanto perder a originalidade em relação à sua causa e aos seus princípios.

Sim, sou cristão de tradição protestante e não é de hoje. Não sou aventureiro, não caí aqui de paraquedas! Desde 1999 que sou crente em Jesus Cristo como meu único e suficiente salvador. Fui batizado nesse mesmo ano, momento em que fui chamado ao Ministério Pastoral. Entretanto, não queria ser Pastor “à la carte”. Eu queria estudar. Deus me levou ao Brasil, onde pela graça e misericórdia dEle me licenciei em Teologia e Direito (…). Em 1999 fui consagrado Pastor! Exerci o ofício de pastor auxiliar em uma grande, séria, bela e honrada Igreja no Brasil (nazareno.com.br aqui por quase 10 anos forjei a minha identidade, aperfeiçoei o meu chamado; lidei com gente que me moldou na prática do bem, do amor e do serviço ao próximo), mas o meu grande chamado é para estar em Angola. Angola é a minha paróquia, é a minha maior paixão! Portanto há 21 anos que vivo dentro da Igreja Cristã de tradição evangélica/protestante, não nasci ontem no evangelho.

Hoje na cidade do Sumbe pastoreio uma igreja local, um pequeno rebanho, de jovens simples, honestos e sonhadores, gente que eu amo com toda a paixão da minha alma, apesar das minhas próprias contradições. Eu não pastoreio gente da UNITA ou do MPLA ou de qualquer outro partido, eu pastoreio gente que ama a verdade, carente  do amor de Deus e que ama a justiça, gente que decidiu abraçar a verdadeira fé em Jesus Cristo, porque é isso que eu sou. Sou Pastor, Advogado, Activista dos Direitos Humanos, Músico/Compositor, Funcionário Público e Político. Me desliguei da vida acadêmica universitária por falta de tempo. Em cada uma das funções que exerço e paixão que tenho, procuro fazer o melhor que posso. Tudo isso é para poder ser luz e ajudar quem precisa, já que o Sumbe, onde eu vivo, faz parte de uma província totalmente esquecida pelo poder político deste país e é justamente aqui onde entra o meu lado político.

Para ser sincero, até há (3) três anos atrás eu era do MPLA, mas eu cansei de tanta roubalheira, de tanta corrupção de tanta maldade, de tanta ignorância quanto à consciência a que se destina o exercício do poder político por parte de quem governa. Eu não posso ficar quieto vendo minha amada província sendo destruída por abutres, gente sem princípios cujo objectivo é apenas se locupletar dos dinheiros públicos desgraçando a vida de milhares de pessoas jogando-os na masmorra matando suas vidas e seus sonhos. Nós não somos gados, somos gente e temos dignidade, merecemos respeito! Só consigo encontrar plausibilidade no exercício do poder político quando é exercido com verdade, justiça e amor. Eu não vejo isso em quem governa, por isso de livre vontade e consciência saí do MPLA e aderi à UNITA, fui recebido com muita amor e verdade, sem preconceitos ou desconfianças. A UNITA é inclusiva e não exclusiva. Descobri e tenho descoberto que não só a UNITA é um partido político muito sério, mas formado e composto por gente muito séria, humilde, comprometida com a justiça (…), causa mais profunda dos angolanos, e é isso que me motiva!, – confesso que eu me sinto muito feliz e agradecido a Deus pela forma como as coisas se conduziram!

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Como cristão, creio que não existe nada mas nefasto e político do que dizer que um cristão não tem nada a ver com a política, é dessa forma que o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, símbolo da luta contra o Apartheid e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984, pensava. Enquanto os cristãos se calam, deixando de erguer a voz em favor dos oprimidos, os abutres, isto é, gente desprovida de valor reina/governa instituindo um sistema que rouba a esperança e a fé de milhares de pessoas. O mal, dizia Martin Luther King, não existe, o que existe é a prática do bem. O mal só reina quando os cristãos deixam de ser sal e luz do mundo. Jesus disse que não se acende uma lâmpada para ser colocada por debaixo da mesa (…). 

Sabe meu irmão, desde as suas origens, a tradição evangélica tem tratado com máxima seriedade o ensino bíblico sobre o poder civil e as tensões envolvidas entre as esferas da Igreja e o Estado ou entre as duas cidadanias do cristão (do céu e da terra). Martinho Lutero foi o primeiro a tratar do assunto, em sua obra “Da autoridade secular, até que ponto se lhe deve obediência” (1523). Foi seguido por João Calvino, que abordou a matéria nas “Institutas da Religião Cristã” (1559), ao tratar da “administração política” (IV.XX). Vários reformadores articularam uma teologia do Estado e várias obras foram lançadas em rápida sucessão nessa época. Destaco por exemplo o livro “Vindiciae Contra Tyranos” (defesa – da liberdade – contra tiranos de Philipe de Mornay de 1579.

Talvez não saibas, mas sabias que o movimento de reforma não foi apenas um movimento de descoberta do Evangelho, como revelado nas Escrituras Sagradas, que visou renovar a Igreja? Foi também um amplo movimento de reordenação da sociedade, à luz da revelação de Deus em sua Palavra. A estrada para a democracia moderna começou com a Reforma Protestante no Séc. VXI, em especial entre aqueles expoentes protestantes reformistas que desenvolveram uma teologia política que remeteu o Ocidente de volta aos caminhos do autogoverno popular, com ênfase na liberdade e igualdade, – portanto, valores como igualdade, liberdade, democracia e outros conexos aos direitos do homem são valores enraizados nas escrituras! É por isso que vários teólogos se opuseram aos regimes totalitários na Europa e de um mundo polarizado pela Guerra Fria. Por isso Karl Barth, pastor e ícone na luta contra o Nazismo publicou a obra “Comunidade cristã e comunidade civil (1946). Francis Shaffer em “O manifesto cristão (1982)” tentou oferecer um caminho bíblico “em face dos poderes civis e eclesiásticos opressores e autoritários”, tratando da relação do cristão com o governo, a lei e a desobediência civil. Eu creio que não há óbice na bíblia sagrada no sentido de um cristão se envolver ao mesmo tempo com o Ministério Cristão, isto é, pastorear uma igreja ou exercer outro ofício sacerdotal e combinar essa dinâmica com a vida política/pública. Em essência, entendo que os dois ofícios de destinam ao serviço do ser humano. Somos todos, políticos ou pastores e outros, servos ao serviços de Cristo em última instância. Eu faço parte de uma tradição cristã/evangélica que sempre entendeu muito claramente que embora cidadãos dos céus, também somos luz e sal da terra, por isso devemos exercer cidadania responsável. Existe uma cosmovisão bíblia sobre as questões de política, lei e governo ao qual estamos ligados. Quem estuda a vida e a linguagem dos profetas nas escrituras sagradas saberá o papel a que se prestaram em relação às autoridades governamentais de seus tempos. Isaías, por exemplo foi profeta e político, serviu durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias em Judá (Is 1. 1). Daniel, foi profeta e político, serviu na Babilônia durante o cativeiro. O que dizer de José no Egipto? E os reis Davi e Salomão? Todos tiveram algo em comum: nas teocracias de seus tempos, foram “homens de Deus” e grandes estadistas, gente que marcou uma geração, cujos legados até aos dias de hoje inspiram milhares de pessoas  e líderes ao redor do Mundo! 

Há no actual contexto, cinco pontos de vista acerca do cristianismo e política que muitos cristãos acabam tendo, em minha opinião, são claramente incorrectos (e prejudiciais): 1) o governo deve impor a religião; 2) o governo deve excluir a religião; 3) todos os governos são perversos e demoníacos; 4) a igreja deve se dedicar ao evangelismo e não à política; e, 5) a igreja deve se dedicar à política e não ao evangelismo. Como alternativa, argumento em favor do ponto de vista que considero correcto: 6) deve haver uma influência cristã expressiva sobre o governo. A bíblia diz “quando não há direção sábia, o povo cai, mas na multidão de conselheiros há sabedoria – Pv 11.14”.

Entendo que Angola precisa de políticos que sejam verdadeiramente cristãos, gente que nasceu de novo, que teve um encontro verdadeiro com o Senhor Jesus Cristo, e não de cristãos/políticos nominalistas. Isso teria um impacto muito acentuado na forma de governar, mais para o bem do que para o mal. Tenho certeza que um dos reflexos disso seria termos um país com mais justiça social e com instituições voltadas mais para servir ao cidadão do que ao partido. Não estou defendendo, necessariamente, que somente o cristão seja a melhor pessoa para governar e também não estou querendo com isso dizer que devamos abolir a laicidade do Estado, afinal somos uma democracia. O mundo já passou da fase da teocratização do Estado e da política, – isso será tema de outra análise, se tiver oportunidade. Mas é inegável, quando assimilados de maneira saudável, o impacto que os valores cristãos têm na vida de um político. O Ocidente assimilou isso, daí o facto de os países de tradição cristã/protestante estarem na lista dos mais desenvolvidos do Mundo. Cada um de nós governa de acordo com os valores que tem e é. No nosso caso, percebe-se que a ética pela qual as instituições foram moldadas não é a do respeito à lei e as regras concernentes ao Estado de Direito. Quem governa Angola, o faz de acordo com as suas conveniências, e isso além de anti-democrático é também anti-cristão. 

Chegados até aqui, permita-me, pois, tentar explicar por meio de 3 (três) argumentos (são vários não vou esgotá-los aqui), as razões pelas quais eu sou da UNITA:

1) Como cristão eu creio que, todas as coisas foram criadas por Deus, Ele é o dono de tudo; tudo existe por Ele, para Ele e por meio dEle. (cfr. Sl. 19.1, Ap. 4.11, Rm 1.20, etc. Logo, é cediço que aqueles que nasceram dEle, isto é, os seus filhos – os cristãos – participem do processo de “cuidar da criação” por meio do trabalho. Deus fez um jardim e colocou nele o homem para o administrar. A terra nos foi dada para a cuidarmos (cosmovisão ecológica da bíblia sagrada); portanto, mais do que cuidar da polis, a política é a arte de cuidar daquilo de é de Deus, por isso é que eu tenho visão e ideal político. Ao querermos o melhor para a nossa terra, vamos, portanto, ao encontro da ideia perpetuada por Deus em relação ao telos pela qual nos colocou no jardim. Assim, uma vez que eu vivo numa sociedade politicamente organizada, é cediço que eu participe desse processo de acordo com os valores que pela consciência nas escrituras sagradas eu carrego. A UNITA não é um fim em si mesmo, é um lugar onde me sinto a vontade para servir em pé de igualdade, liberdade e democracia com os meus irmãos por esses ideais (veja os 5 princípios de Muangai).

2) Na bíblia, o Deus único e verdadeiro revela claramente a si mesmo e seus padrões morais. Eu creio na Bíblia como a palavra de Deus revelada, a fonte da verdade. (veja Rm 10.17, 2Tm 3.16, 2Pe 1.21, etc). A tradição da UNITA não exclui o cristianismo. Desde sempre, como movimento, contou com a ajuda das Igrejas protestantes e até mesmo a Igreja Católica. Ao contrário, o MPLA é de inspiração Marxista-leninista, cujos ideais deram origem a governos que cometeram as mais horripilantes atrocidades contra muitos cristãos ao redor do Mundo e ainda cometem.

Embora a Igreja Metodista Unida, no início, tenha desempenhado um papel importante na formação e afirmação do carácter de muitos líderes do MPLA, tais como Agostinho Neto, Ilídio Machado, Deolinda Rodrigues de Almeida, José Mendes de Carvalho (Hoji ya Henda), gente que foi colega do Bispo Emílio do Carvalho na Missão do Késsua, na província de Malange, o facto é que rapidamente essas “elites” se esqueceram dos valores cristãos aos quais foram forjados. Abraçaram uma ideologia totalmente desprovida de valores cristãos, o socialismo/comunismo, afinal para Marx a religião é o “ópio do povo”. Tornaram-se ateus  e materialistas por convicção ideológica!

Na UNITA, nós não somos adeptos à doutrina oficial da tendência majoritária do movimento comunista – isto é, dos partidos e dos estados alinhados à antiga URSS ou à República Popular da China – durante a maior parte do século XX. Defitivamente não somos adeptos de Marx, Engels, Lenin e Stalin e outros. Como é que, como cristão, eu posso ser de um partido assim? Olha para Angola, como é que o MPLA lida com as liberdades religiosas? Hoje, para o MPLA a Igreja é apenas um instrumento, ou seja, um meio de afirmação do seu poder político e nada mais.

Do outro lado, no Instituto Currie, na província do Huambo, escola de tradição protestante também, saíram ícones tais como: Jonas Savimbi, Jerónimo Wanga, Jaca Jamba e outros, que pela sua verticalidade sempre tiveram um respeito muito estreito pelo cristianismo e pelo evangelho de Cristo Jesus. Nas escolas americanas, onde estudaram, tomaram contactos com a democracia ocidental e por ela foram grandemente influenciados impulsionando-os a aderirem aos movimentos de libertação.

Como se sabe, no segundo dia de trabalhos daquele primeiro congresso de fundação da UNITA, em 13 de Março de 1966, firmaram-se os estatutos do movimento denominado “Projecto dos Conjurados de Muangai”, em que a definição e a sua matriz foi notada e marcadamente traçada pelo pensamento de Mao Zedong, posto que dos 18 fundadores cerca de 8 haviam estudado na China; contudo, tal como supra frisei, a UNITA soube se reinventar e se adaptar às circunstâncias em razão das exigências de cada momento histórico. Hoje a realidade é outra e o partido reencontrou a sua identidade e se reafirmou como verdadeiro defensor, a par de outros valores, da liberdade, da independência total de Angola, da democracia, da igualdade, da soberania , e, mais do que isso, defende as liberdade económicas, ou seja, os direitos fundamentais prima facie; é por isso, como supra frisei, que sou da UNITA.

Como se vê, mais do que uma questão política/ideológica é uma questão de valores, de princípios e de consciência cristã/cidadã. Penso que como Pastor, as minhas escolhas, devem necessariamente ser consentâneas com os valores e princípios cristãos. Deus é a fonte de todos os valores morais, a UNITA me inspira a nessa direcção.

3) A criação de Deus era “muito boa”. Deus criou e viu que tudo era bom (Gn 1.31). Para cuidar da criação encarregou o homem de assim fazê-lo. Ao longo de 18 anos de Paz, tenho visto o MPLA a destruir aquilo que de bom Deus nos deu para cuidar, o nosso país. A corrupção, a politicagem, o aparelhamento das instituições, o controlo dos poderes do Estado, a centralização da administração pública, a construção de uma sociedade com jovens, homens e mulheres alienados, desprovidos de consciência cidadã, tudo em nome de um projecto político, isto é, o poder pelo poder é a tônica do estilo da sua governação.

Hoje, enquanto escrevo estas linhas, cá no Sumbe, estamos a nos debater porque temos em nossa posse documentos que provam inequivocamente que o Governador do Cuanza Sul, Job Castelo Capapinha é ladrão e corrupto. Ora, como um partido pode patrocinar tamanha entropia social? Como cristão e Pastor, não temos o dever moral e ético de criticar, condenar e denunciar isso? E, mais, devemos fazer parte de um partido que, pela sua própria natureza, foi construído por ideólogos de um sistema que patrocinou horrores pelo mundo afora? Não, não vejo coerência nisso! Como cristão, eu nego-me a fazer parte de tal sistema. Portanto, em Deus fomos chamados para trabalharmos juntos, pela verdade, com muita fé e ardor para termos um país diferente e o MPLA não tem sabido proporcionar isso aos angolanos.

Quando a guerra terminou, em 2002, os dados apontam que a dívida pública angolana era avaliada em pouco mais de 30 (trinta) mil milhões de USD, como então entender que passados quase 20 (vinte) anos de paz, tenhamos hoje uma dívida pública que ascende aos mais de 100% (cem porcento) do PIB? Que governação é essa? Tanto desemprego é justificável? Hoje o país importa mais de 1(um) mil milhões de USD em alimentos, é justificável? E eu enquanto cristão tenho de ficar olhando e achando que isso não tem nada a ver comigo? Tenha paciência…(…). Deus nos deu uma terra rica, cheia de recursos não podemos aceitar que gente leviana destrua aquilo que de bom Deus nos deu de graça, a nossa pátria. É por isso que eu sou político, cristão e Pastor (…). Portanto, se algum ser humano de bom senso ama esse país, entende o propósito de Deus para nós, há de entender que quando eu estiver na Igreja como Pastor, sou apenas Pastor e como Sacerdote tenho o dever moral de pregar contra a corrupção, o medo e a ignorância que impera sobre a nossa gente, porque isso sim é cristianismo!

Por fim, eu não acho que pelo facto de ser da UNITA eu tenha problemas em pastorear uma Igreja com pessoas que não sejam da UNITA. Isso pressuporia dizer que todos os membros da nossa congregação são da UNITA, o que é um ledo engano. Talvez seja esse o problema que Angola tem, – o facto de não conseguirmos nos enxergar além das cores partidárias. Aliás, eu conheço, sou amigo e irmão de muitos pastores de igrejas evangélicas que são políticos afectos ao MPLA, muitos padres também o são isso é claramente visível em suas pregações/homilias e, no entanto, isso não tem se constituído num problemas para o ministério/ofício sacerdotal que desenvolvem nem em relação ao vínculo de amizade e respeito que vamos construindo.

A Igreja deve ser reflexo do tipo de sociedade que queremos construir; deve ser um espaço aberto, de diálogo e de aproximação multidisciplinar e multicultural dentro de uma cosmovisão cristã única pautada na verdade e no amor. A igreja é espaço para abertura democrática, aceitação das diferenças com vistas à aproximação, é lugar de inclusão, ponto de intercessão entre todos, afinal não há nem rico ou pobre, grego ou judeu, angolano ou outras nacionalidades, da UNITA ou MPLA ou outros; todos somos um só em Cristo Jesus (Gl. 3.28). Por isso, estou à vontade para servir a congregação e à sociedade enquanto pastor, político ou em outros ofícios, afinal TUDO É PARA ELE!

Soli Deo Glori

07/05/2020

Nelson Custódio, Pastor na ICF