O Tribunal Militar de Cabinda condenou ontem , nesta cidade, cinco efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) afectos à Região Militar de Cabinda, por suposta tentativa de extorsão de um saco de peixe de aproximadamente dois quilos a uma cidadã na via pública.

Fotografia: DR

Depois de julgados ontem em processo sumário por crime de conduta indecorosa, os réus Arikson Luís dos Santos Fonseca, sargento do Batalhão Independente de Cabinda, e Pedro Job Madaleno, segundo cabo do Comando Naval foram condenados, respectivamente, a um ano de prisão correccional e um ano e quatro meses de prisão correccional.
Os soldados Alberto José Segunda, Augusto Nganga de Oliveira e Augusto Eusébio Félix, igualmente afectos ao Batalhão Independente de Cabinda foram absolvidos por não terem participado directamente no crime. Tudo aconteceu quando a 30 deste mês, por volta das 20 horas, os réus em causa excederam-se ao abordarem uma cidadã vendedeira ambulante de peixe, que mostrou resistência para abandonar o local de venda, na rua do comércio, na baixa da cidade, no âmbito das medidas excepcionais contidas no Decreto Presidencial sobre o Estado de Emergência.
Os militares infractores aconselharam a senhora para que se retirasse do local fruto do Estado de Emergência, mas a vendedeira insistia que devia manter-se no local para comercializar o produto na via pública, quando os réus de forma violenta ameaçaram a cidadã com cinturão, recebendo-lhe à força o saco de peixe.
A atitude “menos boa” evidenciada pelos efectivos das FAA veio à tona, graças a uma denúncia pública de um jovem, que filmou o sucedido, sem que os infractores dessem conta. As imagens espalharam-se nas redes sociais, o que levou o Estado Maior General das FAA a emitir um comunicado de imprensa a condenar o acto e a responsabilizar os efectivos pela infracção cometida.
O juiz Presidente do Tribunal Militar, coronel José António, igualmente juiz da causa, disse que os réus absolvidos não tiveram nenhuma implicância nos factos, enquanto Arikson Luís dos Santos Fonseca e Pedro Job Madaleno, tiveram um comportamento que não se coaduna com a disciplina vigente nas FAA.

Por. Bernardo Capita