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Desde 1993 que venho insistindo publicamente na necessidade de mudanças em Angola. Já nessa altura havia muito a corrigir e pouca vontade de mudança.

Recordo-me que, dias depois das eleições de 2008, em entrevista à TPA (gravada no Magistério Primário de Luanda, onde à noite havia aulas do ISCED), afirmei publicamente que deveria haver um pacto nacional que previsse uma amnistia para todos os crimes (incluindo os de colarinho branco) que tivessem sido cometidos até aí. E partissemos para a construção de uma Angola nova, livre da corrupção, do compadrio e do nepotismo.
Debalde!
Apesar dos discursos bonitos, a prática veio demonstrar uma cada vez maior apetência pelos interesses pessoais e familiares e uma cada vez maior despreocupação com a pátria, que se reflecte naquilo que somos hoje enquanto Angolanos. Todos, independentemente da faixa etária.

Dando conta do abismo para onde nos estávamos a dirigir, sempre fui chamando à atenção, seja através da comunicação social, seja internamente, no seio das estruturas do MPLA. Provas disso há várias.
As chamadas de atenção não reflectiam apenas a minha maneira de pensar, mas as expectativas de muita gente. De cada vez mais gente.

Chegámos ao periodo que antecedeu o processo eleitoral de 2017, com a certeza da necessidade de haver um candidato diferente no MPLA, que pudesse reunir as hostes dispersas em comités praticamente sem actividade.
O líder do MPLA escolheu João Lourenço e nós decidimos dar-lhe um voto de confiança. Afinal, tinha o apoio do líder.
Fomos à luta, unindo vontades e até muita gente desconfiada, juntando os destroços em que o MPLA se encontrava, devido à má gestão governativa dos últimos anos.
Enquanto estudioso do processo democrático angolano, reconheço um enorme retrocesso a este respeito. E também uma clara hipoteca do futuro dos angolanos, devido ao rumo que o sistema de ensino vem tomando nos últimos anos, com cada vez mais facilidades e cada vez menos investimento em qualidade (da base ao topo do sistema).
Tudo isso, no quadro de um projecto supersónico anti-progresso.

Já durante a campanha eleitoral, pareceu-nos que o líder não se tinha equivocado na escolha do seu substituto. Pois _para grandes males, grandes remédios_!

Batemos palmas quando do discurso do novo PR no acto de investidura. E depois, na Assembleia Nacional. E também pelos discursos oportunos em diferentes tomadas de posse.
Nós, cidadãos, temos constatado tratar-se realmente de boa opção para a condução dos destinos da República. Penso que _nunca um PR terá tido tanta aceitação quanto João Lourenço tem neste momento._

Qual não foi o nosso espanto (o plural faz sentido, pois incluo aqui a grande maioria dos angolanos residentes em meio urbano, das mais diversas camadas sociais), quando damos conta de haver algumas pessoas que não querem mudança.
São os mesmos de sempre: dirigentes que deviam estar há muito aposentados, filhos e sobrinhos guindados para cima sem mérito e alguns aproveitadores que vão ascendendo na hierarquia partidária graças à bajulação e às benesses que daí advêm.

A pergunta que os cidadãos nos fazemos é: *Quem tem medo de João Lourenço?*

Será o povo sofrido, que trabalha de Sol a Sol, em busca de sustento para os seus?
Serão os zungueiros, os roboteiros, as quitandeiras, os operários, as mamãs domésticas, os agentes administrativos que cumprem as suas obrigações com zelo, os professores e polícias não corruptos ou os médicos e enfermeiros zelosos?
Obviamente que não!
Pelo contrário, todos estes clamavam por sérias mudanças. E estão agora bastante esperançados com o rumo que o país está a tomar.
As coisas vão voltando aos seus lugares. E até já se nota muito menos hostilidade no olhar das pessoas com que nos cruzamos na rua, ao contrário do que foi acontecendo ao longo dos últimos anos.

Será que nós, o povo, vamos ter medo de quem nos representa realmente? Medo de quem está a Interpretar fielmente os nossos anseios? Medo de quem pensa como nós?
É mesmo possível termos medo de quem sente as nossas mágoas, medo de quem sente o pulsar do coração do povo?

Não, o povo não tem medo de João Lourenço. O povo está com o Presidente que elegeu, porque nestes dois meses o Presidente já demonstrou que se mantém com o povo de onde veio e que vibra com o sofrimento das pessoas comuns.
_Como é possível o povo ter medo de quem não tem medo do povo?_

Sendo assim, *quem está, então, com medo de João Lourenço?*

São os gestores corruptos, aqueles que diziam quando eram nomeados: “Chegou a minha vez!” Não de mostrar trabalho, mas de roubar. E quanto mais descaradamente, melhor.

É o pessoal corrupto do sector da justiça e são os muitos jornalistas corruptos. Por isso, deixaram de poder exercer o seu papel de juízes e de fiscais.

São os donos de monopólios, que querem continuar a manter os privilégios.

São os professores, enfermeiros, médicos e agentes administrativos que utilizam o “toma lá – dá cá” no exercício da sua profissão.

São os fiscais e os polícias cuja missão é extorquir dos cidadãos, à vista de toda a gente e com total Impunidade. E os seus chefes, que com isso também lucram.

São os gestores, contabilistas e tesoureiros, que procuram artimanhas para lucrar mais do que deveriam.

São os bajus, que agem como profissionais do “polimento sem graxa”. E que estão já prontos a mudar de barco, desde que possam manter as benesses e os lacinhos regados a molho de Moet & Chandom.

São os filhos e sobrinhos que foram recebendo de bandeja fundos (e mundos) do Estado, graças a contratos sem concurso público.

São os governantes habituados a fazer negócio consigo próprios, num estágio tão avançado de promiscuidade que até os apaniguados de Mobutu seriam seus meros aprendizes.

São os filhinhos que entraram para o Comité Central ou para para a lista de deputados, apenas por serem filhos de quem são e não por mérito próprio.

São os governantes que agora se apressam a querer demonstrar serem os bonzinhos da fita, quando antes sempre agiram com arrogância e prepotência (que são as armas da incompetência).

São todos quantos esconderam a ética atrás da porta e até sempre combateram quantos agiam honestamente.

E são quantos estão agora sem função no Estado, mas que julgam que nasceram para mandar. Como se tivessem nascido talhados para governar toda a vida, utilizando as benesses inerentes a esse estatuto e olhando normalmente para o próprio bolso..

São estes que têm medo de João Lourenço.
E quem são estes, senão dúzia e meia de figuras que se consideram predestinadas a _ficar à volta de Deus_?

*Será por causa desta dúzia e meia de pessoas que vamos continuar a comprometer o futuro de Angola?*
Cada um responda a esta pergunta, por favor.

Quanto a mim (e penso que a outros 13 milhões de angolanos, dos 13,2 milhões de angolanos adultos que hoje somos), quero que Angola volte rapidamente a ser um país normal, em que as pessoas valem pelo que fazem e não apenas pelo que dizem (ou pela camisola, ou pela origem), em que as leis e as regras de boa convivência são de cumprimento obrigatório não apenas para alguns e em que os intriguistas e os bajus tenham os dias contados.

Digo-o como cidadão activo, como profissional e como académico engajado na causa angolana, preocupado com os ventos da política doméstica, que não devem provocar qualquer tempestade.
O nosso barco tem de chegar a bom porto, com a ajuda de todos nós, sobretudo os mais talentosos, os mais honestos e os de mente mais aberta. Sem importar de quem cada um é filho, sobrinho ou amigo.

O Povo Angolano está cansado de sofrer.
O Povo Angolano quer estabilidade, paz e progresso.
O rumo está traçado. Já não haverá retorno.
Quem quiser manter-se no barco, entenda isso de uma vez por todas. Ou então junte os seus tostões e abandone o barco, mas deixe-nos seguir o nosso rumo. Sem sobressaltos.

Colaboremos todos para boa execução do programa de governo!

Angola em primeiro lugar!

Paulo de Carvalho
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25/11/2017