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Tudo seria muito, mas muito mais fácil se as instituições fizessem o básico, apenas o básico. A sociedade angolana não pedia e não pede nada de estratosférico, apenas que as instituições sejam maduras, que os seus responsáveis entendam que suas actividades tem influência nas vidas de milhares de pessoas.
À PGR compete a defesa da legalidade, das instituições do Estado, é o contraponto da arbitrariedade, da pessoalização do poder, do desrespeito à lei e aos princípios dela derivados.
É uma pena que tenhamos tido, nos últimos 10 anos, sobretudo, uma PGR apática, amorfa, claramente “cafricada pelo executivo”, e que com a sua inação contribuiu em grande medida para o sofrimento de muitos angolanos premiando a impunidade (…).
Ver o Procurador Geral da República na mídia explicando à sociedade angolana os casos mais “cabeludos” sobre sua alçada era uma miragem, até parecia ser uma instituição da República à parte, servindo apenas para mandar os filhos dos pobres às cadeias (quem visitar uma cadeia saberá o que falo).
É preciso impormos um novo paradigma.
Defendo por isso mesmo a autonomia e interdependência efectiva das instituições. Os tribunais não podem andar à reboque do Executivo, posto que deita por fora o princípio básico do Estado de Direito, a separação de poderes (check and balances).
A PGR não pode ser advogada do Estado, é justamente aqui que o nosso sistema republicano se torna teratológico demais, escancarando as portas para os amiguismos, compadrismos, a corrupção passa, e como de facto passou a ser amiguinha de estimação dos exercentes dos órgãos de soberania (…). 

Definitivamente precisamos de uma reforma constitucional profunda, pelo menos que nos leve a estabelecermos bem acente que o Estado tem três poderes ou funções e que os mesmos são harmônicos e interdependentes e que cada um tem funções típicas e atípicas, sem a qual não poderemos falar da existência plena de um Estado de Direito e democrático…

nEle, que tudo sabe e vê,
Jesus Cristo de Nazaré!

Nelson Custódio